Resposta do Futuro à Carta em tempos de pandemia

Querida Anastácia,

Quero começar por pedir desculpa pela demora a responder-te. Tenho recebido inúmeras cartas e tenho tentado (ao máximo) responder a todas (o que, como podes perceber, leva algum tempo). O convívio sempre fez parte da vida das pessoas e esta situação da pandemia é-vos particularmente difícil de enfrentar, por isso mesmo. Creio que vocês também ficaram privados das pessoas com quem sempre costumavam conversar e expor as vossas situações quotidianas, o que vos leva a sentirem-se profundamente magoados. Mas a boa notícia é que estou aqui para ajudar, como sempre estive, porque, quando o presente é incerto, vocês têm tendência a fazer previsões (principalmente na hora de dormir) com base naquilo que acham que merecem, não é?!

Primeiramente, eu compreendo todas essas mágoas devido à privação das atividades que te traziam alegria e vivacidade. Aí eu era encarado de uma forma mais entusiasmante…

As restrições que estão a enfrentar todas as pessoas ao redor do planeta são os meios de proteção mais eficazes contra o alastrar deste vírus. A melhor forma de lidar com o confinamento é inventar novas atividades, que se encontram escondidas dentro das nossas casas e das quais nunca demos conta. Essa criatividade ajudar-te-á a lidar com todas as medidas restritivas e, ao partilhares os teus projetos criativos, poderás igualmente alegrar a casa de alguém. E é este o desafio que te proponho a ti e a toda a gente que está em confinamento: vamos divertir-nos da forma como nunca antes nos divertimos? Para isso podes escolher uma atividade para cada dia da semana que se adeque melhor à tua disponibilidade. Aqui, onde eu estou, temos a segunda-feira das leituras e a quinta-feira das coreografias, ou a quarta-feira das nostalgias. Em suma, as coisas mais simples da vida, das quais podemos tirar bastante proveito.

Segundamente, quero dar-te as respostas que precisas relativamente àquilo que tenho disponível para vocês, seres humanos (cada vez mais impacientes).

Esta pandemia não vai ser fácil de ultrapassar. A verdade é que ainda vão surgir mais algumas complicações (como disse, o vírus não é simpático). Mas o que virá depois será algo mágico. As pessoas (aquelas que realmente respeitaram as medidas) vão começar uma etapa nova da sua vida. Vão encarar a vida de uma outra forma, da forma que alguns já encaram ou, por outro lado, em alguns casos (significativos) de ignorância, vocês não querem encarar e tornam-se egoístas… Como eu estava a dizer, esta nova etapa vai reafirmar o quanto a vida é curta e o quanto devemos tirar sempre o máximo proveito. É essencial fazer o que mais gostamos, saber ouvir e perdoar, sem tanto julgar. E que a simplicidade da vida é o que a torna tão vibrante. Mas é mais do que fundamental nunca desistir. Nunca desistir.

Termino esta carta a partilhar um bocado da minha situação. Embora me sinta realmente feliz por ver tanta gente a recorrer a mim, também me sinto triste por duvidarem tanto daquilo que reservo para vocês. Entendo a tua situação e não estou a desrespeitá-la, mas também me sinto angustiado por me colocarem tanto em causa. Quero que saibas, tu e toda a gente, que ainda estou aqui. E que, como uma bela senhora me disse um dia, as coisas boas nunca duram para sempre, da mesma forma que as más. Portanto, segue o lema de nunca desistir, confia naquilo que tenho reservado para ti e diverte-te. Porque a vida é curta e, como sabes, passageira, e as coisas simples da vida são igualmente importantes. Vamos valorizá-las. E o melhor virá a seguir.

Um enorme e caloroso abraço para ti.

Senhor (porque já tenho alguma idade) Futuro

POR INÊS MARTINS, 12.º C

 

Contextualização: A Inês criou uma personagem, a Anastácia, que escreveu uma carta para o futuro a pedir que lhe desse esperança e alguma informação. Agora, o futuro vem responder-lhe…

 

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